sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Pi, Pi, Pi, Pinigool, Pinigoool, Pinigooooolll!

Confúcio disse: A “pinillada” é o hat-trick da arte suprema da bandidagem – o arrombamento de balizas à bastonada! (Se não disse, estou certo que gostaria de ter dito!)

Não há muitos jogadores de futebol por esse Mundo fora que se possam orgulhar de terem facturado três vezes num só jogo – o chamado hat-trick (quer dizer, isto em termos relativos, porque de certeza que o ponta de lança do Cucujães já fez vários hat-tricks em inúmeras situações, inclusivamente quando, sentado no bar com os amigos, brinca com o chapéu enquanto mama uns shots! Estranho não é? Por que raio é que uma simples (tri)repetição de um facto é confundida com chapéus e tal? Já não basta o melhor amigo do homem ser apelidado de capote, capuz, etc., também no mundo da bola temos de levar com comparações injustificadas entre o meter e a cabeça!).
De entre estes seres que rareiam, os que fazem truques com o chapéu, bem entendido, um houve que captou especial atenção. Mauricio Pinilla é o seu nome, e é o jovem cabeludo que encontram retratado na foto (o outro não vale nem para limpar o chão porque andou a mamar na grande teta do leão durante uns 6 anos e depois, quando se estava a fazer jogador, pirou-se para a Turquia sem dar cavaco a ninguém!).
Corria a época de dois zero zero e quatro/cinco (ando deprimido com isto, desde 1999 que não é possível dizer “corria a época de mil nove e noventa e nove. Soava tão bem...) quando, em Braga, Pinilla, até então quase esquecido, saca de um hat-trick que recolocou o SCP na trilha do título.
Tão raro era ver o Pinilla, Pinigol para a “curva” do SCP (que lhe chegou a dedicar um cântico que era qualquer coisa como “Pi, Pi, Pi, Pinigool, Pinigoool, Pinigoool” – muito original, que é para fazer jus ao elevado QI (não confundir com KY) da maior parte dos membros dessas “coisas semi-organizadas por gandulos” a que chamam “claques”), marcar um golo, que aquele dia ficou para sempre marcado na minha memória!
De tão especial, este dia teria que merecer uma sentida homenagem, um justo reconhecimento, uma elevação suprema. E assim surgiu o conceito de “pinillada”!
Tal como o Pinigol marcou três golos num só jogo, também um bandido pode almejar o mesmo feito que, mutatis mutandis, merece iguais alvíssaras!
O mutatis mutandis reflecte-se em pequenos aspectos, que tornam a pinillada uma modalidade requintada ( e não “requentada” como alguns insistem em dizer...) do hat-trick, a saber:
Primeiro, há a benesse. Para concretizar a pinillada o bandido dispõe de 24 horas, e não os 90 minutos de um jogo de futebol.
Depois, há a especificidade. Um jogador marca golos num só campo durante esses 90 minutos. O bandido tem de marcar golos em 3 campos diferentes durante as 24 horas de que dispõe.
Em seguida, há a competitividade. Três golos nos treinos até o Nuno Gomes marca, agora a sério é outra coisa! Não há cá golos com namoradas! Bandido que é bandido tem de ir à caça, ainda que, e aqui se faz uma pequena concessão, seja caça semi-caçada, que é como quem diz, território já ocupado que, em boa verdade, nunca se deixou vago.
Por último, há a consumação. Que eu saiba, bolas no poste, grandes remates e jogadas brilhantes não contam para o hat-trick. Assim sendo, ou bem que se introduz o Bastão da Bandidagem na baliza adversária, no holliest of hollies (como diz o Samuel Jackson no Pulp Ficiton) das rameiras, ou então não há pinillada para ninguém! E não venham cá com a história de “ah e tal, mas ela até sentiu o Bastão da Bandidagem” ou “mas ela até pôs o menino a chorar com tantos mimos” ou o que quer que seja. Golo é golo! E os que contam são os que lá vão parar dentro!
Cumpridos todos estes requisitos, o bandido executa a pinillada na perfeição, daquelas que mereceriam uma standing ovation em pleno relvado adversário (e se é bonito ver um relvado adversário bem tratado! Mais bonito era marcar o terceiro golo e em seguida comunicar a todas as felizardas participantes em tal evento a consumação da pinillada, notícia essa que, indubitavelmente, seria recebida com um caloroso aplauso e, quem sabe, pelo avanço até uma salenkada – nota histórica: Oleg Salenko foi o único jogador que marcou cinco golos num só jogo numa fase final de um Mundial. Este conceito, a salenkada, que é um conceito a estudar e aprofundar, implicará, necessariamente, o aumento do número de golos e a internacionalização da facturação, ou não tivesse o dito jogador alcançado o feito durante o Mundial!).

2 comentários:

Cactus Jack disse...

Eh pah, que categoria de disparo!! Muito bem escrito e sucinto no que ao fenómeno da Pinillada respeita. Os meus sentidos parabéns e um obrigado por ajudares a espalhar tão inovador conceito por ti tão bem criado. És grande!!

Black Bart disse...

LINDO!!!
o conceito está tão bem descrito que chega a ter contornos de inalcançabilidade! Que se eleve a estatuto de Deus quem, pela felicidade alheia, invista em tão ousada tarefa que é dar um sorriso a três seres humanos!